De acordo com a lenda que se conta por Monchique, este convento deve-se a uma promessa feita por dois navegantes que se achavam em perigo no alto mar. Caso se salvassem, construiriam uma igreja no primeiro lugar de terra que fosse avistada.
Na realidade, sabe-se que o Convento de Nossa Senhora do Desterro foi fundado em 1631 por Pero da Silva, “O Mole”, nomeado 24º vice - rei da Índia a 13 de Abril de 1635. A 20 de Março de 1632, toma posse do convento a Ordem Terceira regular de S. Francisco, tendo inicialmente uma comunidade de 11 irmãos e da qual era provincial o Frei Manuel de Santo António.
Com o Terramoto de 1755, que provocou na Vila danos consideráveis, o convento foi um dos edifícios mais afectados tendo a sua abóbada ficado totalmente destruída. Mesmo assim, e por testemunho de dois viajantes que passaram por Monchique em 1798, viviam ainda no convento cinco frades, cujo patrono do edifício era agora o sétimo conde de S. Lourenço que nunca chegou a mandar a sua reparação.
Na sequência das lutas liberais e posteriormente com a extinção das ordens religiosas em 1834, o convento foi encerrado e todas as suas funções religiosas e de assistência e caridade foram desactivadas. Como consequência, os seis belos retábulos de talha que enriqueciam a Igreja do convento foram distribuídos por duas igrejas de Monchique – a Matriz e a Misericórdia – e ainda pela Igreja Matriz de Aljezur. Em 1842, o edifício foi vendido em hasta pública, “sendo arrebatado pela família liberal Guerreiro Gascon, que já possuía outras propriedades nas imediações”. (José Rosa Sampaio)
Construído na linha do barroco nacional e com reminiscências manuelinas, o convento, actualmente em ruínas, situa-se num local bastante aprazível de onde se desfruta uma bela paisagem sobre a vila e arredores. A maior magnólia da Europa, uma árvore multicentenária e que consta ter sido trazida da índia pelo fundador Pero da Silva, encontra-se ali bem perto do convento.
Foi adquirido pela Câmara Municipal de Monchique, estando classificado como imóvel de interesse municipal (IIM) pelo despacho de 6 de Julho de 1981.
| Fachada principal do convento |
| Símbolo das armas do fundador Pero da Silva, gravadas sobre o arco da entrada |
| Capela principal, na qual estava a imagem de Nossa Senhora do Desterro, Orago do Convento |
| Capela Lateral |
| Alguns dos Azulejos ainda existentes no interior do convento |
Bibliografia:
GASCON, José António Guerreiro, Subsídios para a Monografia de Monchique, 1993;
SAMPAIO, José Rosa, Antigas Igrejas e Conventos do Concelho de Monchique, 2008;
MARADO, Catarina Almeida, Antigos Conventos do Algarve, 2006;
lindo blog.
ResponderEliminarRita, convido-te a seguir o blog MG.
ResponderEliminarSaudações Gloriosas
master
mastergroove2010.blogspot.com
Olá Rita!
ResponderEliminarEncontrei este teu blogue e vou segui-lo, será por uma razão sentimental. Aliás duas: A Primeira porque os teus artigos me falarão dessa terra tão querida que infelizmente pouco conheço. A segunda por nasci aí há quase sessenta e sete anos.
Também tenho um blogue, onde já falei dessa vila, o primeiro artigo que publiquei até foi a dizer que nasci em Monchique, depois ainda outros. Gostava que me visitasses (no blogue) há nele algumas histórias engraçadas que de algum modo referem essa vila. Como és estudante, se o fizeres não esperes encontrar algo escrito em bom português ou com estética literária, é tenho pouca instrução. Até gostava que deixasses um comentário, se os achares merecedores.
Felicidades
Diamantino.