domingo, 21 de agosto de 2011

A Imprensa em Monchique - Jornal "O MONCHIQUENSE"

Fundado em 1 de Fevereiro de 1926 e dirigido por António Vieira e mais tarde por Manuel de Sousa Costa, O Monchiquense tinha como complemento de título “Quinzenário Regionalista Independente”, sendo publicado nos dias 1 e 15 de cada mês.
Este jornal surgiu numa altura em que não existia qualquer publicação no Concelho que divulgasse os seus valores e potencialidades naturais, bem como os interesses da população. Caracterizava-se pela sua conotação regionalista e inspiração livre e apartidária. 

O Monchiquense destacava-se pelas suas variadas e interessantes secções regulares:
  •        Uma coluna social intitulada “Notícias Várias”;
  •         Duas secções de poesia – “Poesia” e “Perfil”;
  •          “Antiguidades”, onde era divulgado o Património Histórico da Vila de Monchique;
  •       “Interesses Locaes”, apresentando crónicas sobre o desenvolvimento do Concelho;
  •       “Actualidades”, também de crónicas;
  •         “Notas Mundanas”, secção para aniversários, partidas e chegadas, entre outros.
Inicialmente era impresso na Tipografia Socorro em Vila Real de Santo António, mas posteriormente passou a ser impresso em Portimão na Tipografia Lumen. Tinha uma assinatura trimestral de 3$00, aumentando depois para 4$00. Do seu grupo de colaboradores conta-se a presença de José António Guerreiro Gascon, António Duarte Lopes, Mário José Estevens, António Leal ou Elvira Lídia, entre outros. Foi extinto a 12 de Outubro de 1928, ficando-se pelo número 57.
No artigo de capa do seu primeiro número, O Monchiquense apresentava-se da seguinte forma:

«Monchique – modesta zangala adormecida entre verdura – ha muito que não tem quem fale dos seus encantos, quem diga o que ela vale, o que ela é e o que merece. É esta a razão do aparecimento do nosso modesto quinzenário, onde tentaremos erguer bem alto a Nossa Terra – e tão alto fosse quanto nossos corações o desejam! – devotamente A servindo e amando.
Esta folha, é quási desnecessario dize-lo, não obedece a nenhuma feição de partidarismo politico; constitui apenas a tentativa bem intencionada de fazer a propaganda da nossa região, de a defender e pugnar pelos seus interesses (…)».


Capa do primeiro número do jornal

Bibliografia:
MESQUITA, José Carlos Vilhena; História da Imprensa do Algarve – II; Comissão de Coordenação da Região do Algarve, Faro 1989.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Folheto publicitário de 1884 do “Estabelecimento Thermal de Monchique


Folheto publicitário do “Estabelecimento Thermal de Monchique” de 1884, inserido no relatório do mesmo ano “sobre o estado e necessidades do estabelecimento, sua historia, uso das aguas e analyse da estatistica” de João Bentes Castel-Branco.
Tem o seguinte texto introdutório que se mantém bastante actual:

“Entre florestas que se estendem muito além da Villa de Monchique,
ergue-se na encosta sul da montanha denominada Picota,
o ESTABELECIMENTO THERMAL
a seis kilometros de Monchique e a vinte de Portimão.
O terreno bastante acidentado apresenta paisagens tão pittorescas,
que por muitos amadores tem sido classificada esta região
como sendo a que em Portugal encerra mais belezas naturaes.
Á belleza dos arrebaldes junta-se a pureza das aguas geralmente férreas
e tão boas que são transportadas a mais de trinta kilometros
para consumo das familias.
Taes predicados só por si têem feito, com razão,
Com que alguns dos poucos medicos portuguezes conhecedores d’esta região
Mandem para aqui os seus doentes escrofulosos, anemicos,
chloroticos e tuberculosos procurar allivio ás suas enfermidades,
à similhança do que em Inglaterra e na Allemanha se pratica com a Suissa.
As Thermas frequentadas desde tempos immemoriaes
pelo conhecimento empirico da sua efficacia contra toda a especie de dores
e outras enfermidades, têem tido nos ultimos annos
uma affluencia superior ás accommodações do estabelecimento,
affluencia que augmentou ainda em 1882 a ponto dedeixarem de frequentar
o estabelecimento muitas familias por falta de casa,
e isto a pezar da falta de commodidades e annuncios, concorrência
que só tem explicação nos bons resultados colhidos pelos enfermos
que procuram o ESTABELECIMENTO THERMAL DE MONCHIQUE.
A  direcção, em vista de tal affluencia tem adoptado um certo numero de medidas
Tendentes a poder accommodar desde já a affluencia actual
Construindo apozentos e creando commodidades e distracções que espera augmentar nos annos próximos.”




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